Muito bom dia a todos. Meu nome é Andreia Rebelo.

Sou artista plástica e vou ser a vossa professora de Educação Visual este ano letivo.

E o que vamos fazer este ano?

Vamos aprender a copiar?

Ou vamos descobrir problemas e encontrar várias soluções?

Vamos fazer os mesmos exercícios vez após vez?

Ou propor outras mensagens? As vossas mensagens?

Sei que a maior parte de vocês estão habituados a fazer os mesmos exercícios, vez após vez e que toda a turma costuma seguir a mesma receita, nos condimentos e proporções impostas pelo professor…mas eu não sou dona de uma fábrica de bolos….e comigo vão ter de construir a vossa própria receita.

Isto é: Educação Visual é uma Educação Artística e não uma Oficina de Técnicas Artísticas.

Se é suposto educar-vos tem de interferir com o que vocês são, misturar-se com a vossa identidade e não ser apenas algo mais adquirido para ser esquecido de seguida.

O que vamos fazer?

Para que serve a Arte?

O que vamos mudar?

Quem se vai dar a conhecer?

Educação Visual deve mudar o modo como se relacionam com o mundo, o modo como o vêem e dar-vos mais ferramentas e processos para resolverem problemas, em qualquer área do conhecimento. Deve suscitar uma área do vosso pensamento: o pensamento criativo.

Por isso, acima de tudo, as Artes servem para vos fazer pensar, para vos desafiar em diversos sentidos. Para vos propor diferentes processos de trabalho.

Estarei aqui como professora mas também como artista. Para vos orientar e perceber as vossas ideias. Para vos dizer, quando se sentirem perdidos que essa é a sensação que os artistas sentem antes de começarem a resolver um desafio. É um desassossego como diria Fernando Pessoa. Um desassossego, do desafio levantado, que gera um brainstorming de respostas. Não uma única resposta proposta por mim….

Recuso-me a ser gerente de fábrica de bolos e a aceitar que todos me apresentem uma solução igual, seguindo uma receita.

A formação de pessoas capazes de encontrar soluções criativas é mais provável quando o professor também é praticante e muito mais no caso do professor de artes.

Vou citar Ostrower  uma artista plástica brasileira que trabalhou em  gravura, pintura, desenho, ilustração, mas também teorizou sobre arte e lecionou no Spellman College, em Atlanta, EUA; na Slade School da Universidade de Londres, entre outras escolas:

Ela escreveu:

"Pois o que conta mais na sala de aula, além das informações que o professor possa transmitir, é a própria postura diante do seu fazer. Se para ele as obras de arte não representam valores de vida, estendendo-se esta avaliação à sensibilidade das matérias e das linguagens, o professor pouco terá a dar aos alunos fora receitas técnicas ou nomes ou datas- nada que toque ao essencial da experiência artística. Se, porém para o professor, a arte representar algo de fundamental na sua vida, uma necessidade de sentir e de ser, ele haverá de transmitir sua convicção de uma maneira ou outra. (. . .) É com o que de mais valioso ele poderá contribuir: em vez de mera informação, a formação do ser sensível ". (OSTOWER, 1990: 223)

O que vamos fazer este ano?

Quem vamos conhecer?

Como vamos fazer?

Vamos criar ou copiar?

Vamos ativar a criatividade?

 

Somos todos diferentes e podemos e devemos conhecer-nos enquanto seres únicos, com opinião sobre o mundo. Este ano será diferente. Será sem rede. Serei a vossa desafiadora, propondo pontos de partida. Serei também vossa orientadora ajudando-vos a desenvolverem os vossos projetos , mas trabalharei no sentido de vocês mesmos terem as vossas ideias, os vossos pontos de chegada,  diferentes  soluções e perceberem o quanto são capazes!

Então até amanhã….na sala 14.

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